sexta-feira, 29 de abril de 2011

KARATE KID #7: ERA UMA VEZ NO VITA

Depois de ter feito a apresentação anterior, na qual tentei mostrar o Karate por outro ângulo, chamei alguns alunos para provarmos que, além de muito bonito visualmente, todos aqueles golpes possuem reais significados e aplicações. Bunkai é o nome que damos às aplicações práticas das técnicas contidas nos Katas.

Eis, então, que tentamos, em grande estilo e com pouco ensaio, fazer o Bunkai do Kata Nijushiho. Aquele mesmo pelo qual Al Pacino foi destronado.




Parabéns aos artistas marciais e cênicos - Gabriel, Gabrielly, Marcos e Pedro - que deram um show de Karate e de interpretação.

OSS!

terça-feira, 26 de abril de 2011

KARATE KID #6: "KARATANGO" NO VITA

No dia 6 de Dezembro de 2010, encerramos nosso ano letivo de maneira inesquecível no Colégio Vita et Pax. Nos próximos dias, postarei, em partes, aquela que foi, sem dúvida, a mais bonita apresentação de Karate de que já participei. Digo "participei", pois, como vocês verão a seguir, as estrelas da festa sempre foram e são os meus amados alunos.

Neste trecho, creio que até mesmo o sempre mal-humorado Coronel Frank Slade - (Al Pacino, Perfume de Mulher, 1992) -  enxergaria que tem, diante de si, um rival a altura na maravilhosa arte do Tango. Vale creditar que a idéia da apresentação foi da minha parceira, Eiko Miura.





Há momentos em que, de fato, vale o clichê: uma imagem diz mais do que mil palavras.

OSS!

sábado, 23 de abril de 2011

O SOM DO CORAÇÃO #13: ALANIS / NAZARETH - IRMÃS DE ALMA

Desta vez, diferentemente da maioria das outras postagens musicais onde o que eu queria mostrar era a letra das canções, peço para que vocês assistam, de verdade, aos dois vídeos em questão. Fazendo isto, estou certo de que perceberão que, mesmo que ambos estivessem cantando "meu pintinho amarelinho", certamente o resultado seria igualmente maravilhoso.

Alanis Morissette - "THAT I WOULD BE GOOD"

Nazareth - "LOVE HURTS"


Tanto Alanis, com seus suspiros e sua respiração carregada, quanto Dan McCafferty, com sua voz rouca e embargada, conseguem, extraordinariamente, impregnar suas canções com a dor e a paixão implícita nas palavras que estão de suas bocas saindo. Basta uma rápida comparação com qualquer outra banda de ocasião, para sentirmos que não se trata de saber ou não cantar, não se trata de ser bonito ou feio, não se trata de marketing ou produção. Trata-se, apenas, de sentirmos que aquelas palavras não vêm apenas das bocas que as estão cantando, mas sim, de um lugar onde somente os verdadeiros artistas conseguem alcançar: o fundo da alma deles... e da nossa.

OSS!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

KARATE KID #5: "ARTE" MARCIAL

NOITE ESTRELADA SOBRE O RÓDANO - Van Gogh
Quem, de fato, já se deu conta do motivo de se utilizar a palavra "Arte" ao se referir à lutas que, em geral, têm como objetivo causar danos à outro ser humano? Seriam - Karate, Judo, Jiu-Jitsu, Aikido - realmente atividades dignas de receberem tal denominação, assim como são, a Música, a Escrita, o Cinema, a Pintura, a Dança, a Fotografia?

MY WAY - Frank Sinatra

Ao recordar de alguns trechos do livro Musashi (de Eiji Yoshikawa), me dei conta de que, além de ser exímio na Arte da Espada, Musashi (o maior Samurai da história) ainda se aventurava no aprendizado e na obtenção de múltiplos conhecimentos em diversas outras Artes, tais como, Escultura, Pintura e Caligrafia. Achava ele que, ao se dedicar a tais atividades, estaria contribuindo, também, para o seu fortalecimento pessoal e, por conseguinte, evoluindo em sua Arte maior: o manejo da Espada. Não creio que ele estivesse errado. Pelo contrário, penso que Musashi apenas compreendeu, no século XVI, aquilo que hoje é absolutamente nítido para mim: dedicação. Esta é a palavra-chave que irá unir tão (aparentemente) diferentes atividades humanas.

HAMLET - William Shakespeare
Depois de alguns anos trabalhando o Karate com crianças, desenvolvi um raciocínio que, normalmente, soa convincente. Várias vezes sou questionado por pais ou pelas próprias crianças a respeito de "quanto tempo se demora para ganhar a Faixa Preta" ou, pior, "quanto tempo se demora para se tornar um campeão de Karate". A estes questionamentos, respondo da seguinte maneira: igualar o Karate (ou qualquer outra Arte Marcial) a um esporte meramente competitivo (futebol, natação, corrida) é diminuir a importância da luta em questão.

Michael Jordan
Afinal, por maior que seja o valor do Esporte na sociedade, ele não é tão grande quando comparado à infinidade de benefícios proporcionados pelo aprendizado de uma Arte Marcial. A Arte está acima do Esporte, sem dúvida. Até porque, a Arte engloba o Esporte. Eu não descarto por completo a prática da luta de maneira esportiva. Apenas penso que visar única e exclusivamente a obtenção de vitórias e medalhas pode ser tão perigoso quanto os tais golpes utilizados. E, saber encontrar o equilíbrio entre formar um perdedor conformado, e formar um ser humano que só pensa em vencer a qualquer custo é o grande objetivo de um Sensei de Artes Marciais.

Estudante Chinês - Fotografia Clássica e Histórica
Quantas vezes precisou o Giba treinar saltos, cortadas e manchetes para se tornar por sucessivas vezes o melhor jogador de Vôlei do pleneta? Quantas fotografias "erradas" precisou o fotógrafo bater para obter aquela  "uma" que tornou-se sua obra-prima? Quantos arremessos à cesta por dia fazia o Michael Jordan? De quanto ensaio precisa um pianista antes de seu espetáculo? A resposta para estas todas, e muitas outras perguntas semelhantes é a mesma: muito treinamento. Seja qual for a sua Arte, você apenas conseguirá se destacar se compreender que necessita praticar aquilo incessantemente, até que o seu corpo aprenda a fazer o movimento sem que o seu cérebro ordene. E isto torna a prática de qualquer atividade extremamente exaustiva e repetitiva, fazendo com que muitos alunos desistam pelo caminho da longa jornada que escolheram.

O PODEROSO CHEFÃO - Marlon Brando
É simples: se eu apenas decorar as teclas do piano que preciso apertar para tocar qualquer canção, esta jamais soará tão verdadeira e visceral quanto se tocada por mãos treinadas. Existe alma na Arte, e isto não pode ser facilmente copiado ou aprendido. Um Heian Shodan (primeiro Kata do Karate) executado por um Faixa Branca, não pode ser igual à um de um Faixa Roxa, Marrom ou Preta. Por isso, deve-se haver paciência para saber que o treinamento é contínuo e ininterrupto, e que a maior competição é a competição interna.

JUDO IPPON - Tiago Camilo
Pensar em vencer os próprios medos e as próprias fraquezas é muito mais importante do que ganhar torneios e colecionar medalhas. Ser extremista e desestimular por completo o espírito competitivo, também não é saudável. Mas, ter em mente que a vaidade nunca poderá sobrepujar a humildade, é algo fundamental a ser transmitido ao aluno.

MAE GERI - Hirokazu Kanazawa
Compreender que, ao buscar interpretar um livro, um filme ou uma poesia, o aluno estará desenvolvendo  a sua sensibilidade, e que isto poderá lhe trazer benefícios, também, em sua luta, é um raciocínio complexo e, certamente, muito questionável. Mas, como atestou Musashi séculos atrás, perfeitamente viável e, por que não, saudável.

No fim, ficam as duras palavras de um sábio Sensei ao seu discípulo após este vencer um importante torneio de Artes Marciais: 

- Você é o campeão, certo? Então me diga: se o campeonato recomeçasse agora, você me garante que o venceria novamente?

- Ah, isto eu não posso te garantir, Sensei.

- Então você não é campeão de nada!

Pura Arte... Marcial.

OSS!

terça-feira, 19 de abril de 2011

O CARTEIRO E O POETA #5: SONETO DA NOITE

Peço licença e desculpas aos nobres poetas e escritores que emprestam seu talento a este humilde espaço, para, pela primeira vez, postar algo meu. 

Sem maiores delongas:

SONETO DA NOITE

A noite minha ferrenha inimiga
Faz à tona vir memória dolorida
Que nem a mais melosa de ninar cantiga
Consegue do sufoco me afastar.

Na noite minha diária companheira
Sonho solitário com a verdade verdadeira
Que brilhante luz trará de primeira
Ao meu caminho assim iluminar.

Da noite quando se faz o dia
E da mente todo temor se esvazia
Todavia consigo vem-se a questão:

Já por não responder peço perdão (mas gostaria)
Vence a dor vence a alegria,
O que é real o que é ilusão?


Danilo Peres

OSS!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

SHOGUN #10: SHINKANSEN

Shinkansen chegando em Osaka.
Sem dúvida alguma, o Shinkansen (trem-bala japonês) é um dos (senão "o") maiores cartões-postais do Japão. Movendo-se, flutuantemente, com uma velocidade média de 300Km/h, o Shinkansen não apenas é a forma mais rápida de se locomover por todo o interior do país, bem como um passeio prioritário para quem está a visitar a Terra do Sol Nascente.

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Por se tratar de um cartão-postal, ou seja, algo procurado por turistas de todas as partes, há uma série de preocupações em manter a excelência no serviço. Desde a absoluta precisão no cumprimento dos horários (algo de se fazer inveja a qualquer serviço britânico), passando pelo generoso conforto e incrível tecnologia, e chegando, finalmente, àquele que sempre é o ponto que mais me chama a atenção: a relação entre as pessoas. Neste aspecto, o trem-bala japonês se destaca como sendo um dos poucos recantos onde ainda se é possível observar hábitos e costumes antigos em contraste com a já citada tecnologia de ponta. Para exemplificar o que estou dizendo, basta dizer que todos os funcionários do Shinkansen, ao se locomoverem pelo interior do trem, sempre fazem uma mesura (cumprimento típico japonês) ao adentrar e ao sair de um vagão.

Estação de Kyoto.
Quando desembarquei no aeroporto de Narita e fui tomar o Shinkansen com destino a Shinagawa (Tóquio), confesso não saber que já estava dentro do famoso trem-bala. Confesso, também, que jamais poderia afirmar que, de fato, estava a 300 Km/h. A viagem é tão estável quanto uma feita num bom carro numa boa estrada. A paisagem vista ao longe era sempre bela, especialmente quando recoberta pela neve de inverno. Mas, ao olhar as coisas que passavam próximas à janela, conseguia ter a noção exata e assustadora da velocidade daquele meio-de-transporte fantástico.

Belo vitral da Estação de Maibara Nagahama.
Por se tratar de um transporte caro (uma viagem de 2h poderia custar algo do tipo Y$ 10.000 ou R$ 200), o serviço é, basicamente, utilizado por japoneses abastados financeiramente. Primordialmente, homens e empresários. E era interessante ver como eles incorporavam aquela viagem ao seu dia-a-dia, muitas vezes almoçando ou tomando o café-da-manhã dentro do trem sem o menor constrangimento.

Meu Rail Pass e todos os bilhetes do Shinkansen.
Pelos meus cálculos (já não mais tão precisos por conta da passagem dos meses), fiz umas 15 viagens de Shinkansen. Na maioria das vezes, partindo da estação de Maibara. Outras, de Toyohashi. E os destinos foram em ordem cronológica: Kyoto, Osaka, Tóquio, Fuji e Hiroshima. Jamais irei me esquecer de nenhum segundo passado acima daqueles trilhos, especialmente porque cada destino era magicamente especial e único. As paisagens que meus olhos viram ficarão registradas para sempre em minha memória e em meu coração, e hoje, mesmo com o passar das semanas que insiste em atritar com a força das memórias, não tenho como não me arrepiar e me emocionar ao rever, ainda que por foto, a visão do Monte Fuji pela janela do trem. E a minha "cara" refletida no vidro é algo que não apenas fala por si só, mas que também reflete toda a magia de um momento espetacular da minha vida que está guardado. Bem guardado.


OSS!

sábado, 16 de abril de 2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

CINEMA PARADISO #18: NAMORADOS PARA SEMPRE




Finalmente, depois de alguns anos seguidos nos quais apenas as animações demonstravam um mínimo interesse que fosse em tentar nos brindar com algo mais sensível e menos técnico, surge um filme que consegue suprir esta carência que me atormentava desde o fabuloso Apenas Uma Vez.

Namorados Para Sempre nos força a assistir aquela velha história que sabemos já termos visto algum dia em algum lugar. E, neste aspecto, qualquer semelhança não é apenas mera coincidência. O casal Dean e Cindy (Ryan Gosling e Michelle Williams) passam por um momento tumultuado no casamento. Por mais que se esforcem para tentar esconder a crise da pequena Frankie (Faith Wladyka), a constante bebedeira, as inúmeras frustrações acumuladas e os anos de convivência os levarão a questionar, duramente, se devem ou não permancer casados.

Analisando, superficialmente, esta pequena sinopse que escrevi, nada parece muito novo nem original. Porém, o que faz com que o longa seja brilhante e tocante é a maneira como os personagens são construídos e a sensível forma como a história é contada. 

Buscando sempre nos fazer testemunhar paralelamente e, conseqüentemente, comparar os momentos de crise vividos no presente com os momentos mágicos de amor e paixão vividos no início do relacionamento, o diretor Derek Cianfrance, mesmo que, eventualmente, exagere na obviedade de alguns planos e elipses, acerta em sua escolha por esta tornar ainda mais angustiante o ato de observar o estado em que o casal se encontra hoje, tendo como padrão comparativo justamente o período mais romântico da história de todos os casais.

Dean nos é apresentado como um homem ainda jovem, mas que aparenta ter mais idade do que de fato tem.   Sua calvície precoce, seu permanente estado conformativo e o vício em álcool (usado corretamente de maneira sutil) nos fazem questionar como teria ele conseguido conquistar o coração da bela Cindy. Aí, então, somos apresentados ao seu álter-ego: o de jovem multi-talentoso que, mesmo tendo fracassado nos estudos, compensava com sobras esta "falha", através do seu carisma, simplicidade, companheirismo e, acima de tudo, sua sensibilidade. Esta última nos é mostrada numa comovente cena em que, após transportar os móveis de um senhor idoso, cuidadosamente ele os organiza de maneira extremamente hábil e sensível, demonstrando, com isso, estar atento humanamente a tudo e todos que se encontram ao seu redor.

Cindy é mostrada, inicialmente, com uma postura sempre distante e impaciente. Visivelmente amargurada, aos poucos vamos desvendando as razões que a levaram a se transformar de jovem sonhadora à mãe frustrada. Os problemas familiares, a evidente decepção profissional (jamais mencionada, mas facilmente notada), e uma intolerância absoluta com o estado em que o marido se encontra, fazem de Cindy a esposa dos pesadelos de qualquer homem. Jamais se mostrando disposta a resolver, de fato, a situação, ela parece, desde o início, ter plena certeza de que o futuro deve ser trilhado pelos dois de maneira separada. E, por mais que Dean se mostre sempre esforçado em buscar argumentos no sentido contrário a este (mesmo que de maneira atrapalhada), ela jamais aparenta estar aberta a se sensibilizar com eles, deixando, inclusive, a impressão de que existem mais razões para todo aquele rancor, além das que o filme já menciona.

Contando com uma montagem extremamente precisa que contribui, absurdamente, para que se fosse alcançado o efeito devastador que o tempo implicou ao casal, o filme não apenas nos surpreende pela magnífica análise de personagens que se propõe a fazer, mas, mais do que isso, por não buscar a redenção à todo custo - o que colocaria todo o projeto a desabar - a obra nos dá uma visão crua, dura e dolorosamente real do que a convivência e o dia-a-dia são capazes de causar. Mesmo o aparentemente brega título em Português não deixa de ser uma mensagem acertada sobre o que de fato deveria ser o ideal a ser alcançado para qualquer casal do planeta: descobrir a fórmula de se tornarem namorados para sempre.

Ah, estava com muitas saudades de ver uma cena singela e bela como esta, sem que os personagens fossem desenhos animados.

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OSS!

terça-feira, 12 de abril de 2011

O CARTEIRO E O POETA #4: A DANÇA - PABLO NERUDA


A Dança

Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
Ou flecha de cravos que propagam fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscurar,
Secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores.
E graças a teu amor, vive oculto em meu corpo
O apertado aroma que ascende da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo, assim, diretamente sem problemas nem orgulho;
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Senão assim, deste modo, em que não sou nem és.
Tão perto que tua mão sobre meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


"Te amo como a planta que não floresce e leva / dentro de si, oculta, a luz daquelas flores."

Não me lembro de ter lido ou escutado nada tão simultaneamente triste e maravilhoso sobre o amor. Sim, sei que preciso ler mais. Mas, sim, também desconfio que, mesmo que lesse toda a literatura sobre o assunto,  raramente encontraria tão bem ditas palavras.

Apenas para não perder o costume, deixo a dica cinematográfica que empresta o nome à esta Série do Blog: O Carteiro e o Poeta (1994)  nos conta a respeito da vida do Poeta em questão. É imperdível.

OSS!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

KARATE KID #4: ESPÍRITO X TÉCNICA

"Primeiro o espírito. Depois a técnica."

É de acordo com esta máxima que Karatecas de todos os cantos do planeta iniciaram suas jornadas nas Arte Marciais. Teoricamente, numa luta hipotética entre dois homens de mesmo nível técnico, vencerá aquele que demonstrar maior espiríto. Apenas para não criar dúvidas, deve-se entender por "espírito", aquilo que chamamos de atitude correta de luta, vontade, postura de vencedor.

O Karate é dividido em três pilares: Kihon (fundamentos), Kumite (luta) e Kata. Este último engloba os dois primeiros, tornando-se, assim, o mais importante dos três. Katas nada mais são do que seqüências de movimentos pré-estabelecidos que contêm, em suas aplicações, todos os "segredos" e toda a cartilha do Karate. É a simulação de uma luta imaginária contra diversos adversários ao mesmo tempo.

Para que um Kata tenha algum sentido ou desempenhe alguma função marcial  além da óbvia beleza plástica dos movimentos, o praticante/atleta deve buscar, através da exaustiva prática diária, imbutir nesses movimentos o tal espírito ao qual a postagem se refere. Caso isso não aconteça, não passarão de movimentos executados aleatoriamente por alguém que apenas teve a capacidade de decorar aquela referida seqüência. Perde-se, então, toda a verdadeira essência da Arte Marcial que está contida naqueles golpes.

A seguir, colocarei três vídeos com o intuito de diferenciar três estilos e atitudes completamente diferentes entre si, de três consagrados nomes do Karate mundial. O primeiro é de Luca Valdesi, um dos mais respeitados nomes do Karate europeu e herói da WKF (World Karate Federation). O segundo é Mikio Yahara, ícone do Karate japonês e anteriormente citado neste blog. E, por fim, Hirokazu Kanazawa, o único habitante do Planeta Terra a ostentar o título de 10º. Dan em Karate.


Quando eu vejo o Valdesi executando o Kata Unsu, não vejo nada mais do que alguém que decorou os movimentos todos, treinou muito, aperfeiçoou a técnica em um nível extremo, forjou o corpo para suportar e dinamizar os movimentos, mas que, em momento algum, conseque me transmitir, de fato, saber o que está fazendo. É como assistir ao Cisne Negro e achar que a Natalie Portman é uma bailarina. Não, ela não é. Ela apenas treinou especificamente para desempenhar aquele papel. Luca Valdesi é isso: um ator do Karate. Ele interpreta o seu Kata como se fora um drama, alongando excessivamente nas pausas, dando seus toques pessoais onde não deveria e, acima de tudo, não consegue me transmitir em momento algum que está combatendo adversários, sendo este o maior de todos os defeitos do seu Kata. Não tem espírito, apenas muita técnica. Além, é claro, do patético fato dele ser obrigado a competir usando uma faixa vermelha em vez de sua própria faixa preta. Isto a princípio pode parecer besteira, mas acaba descaracterizando (e muito) a Arte.


Por sua vez, Yahara é o extremo oposto do Valdesi. Famoso por seu estilo de Kumite (luta) extremamente agressivo e incomum, ele consegue demonstrar todas estas características também em seu Kata. Sem mostrar grandes preocupações com a forma de suas bases ou de seus golpes, ele apenas busca - o tempo todo - sentir e transmitir que, ao vestir o seu Kimono, se transforma em outra pessoa, enfim, um verdadeiro guerreiro em campo de batalha. O melhor termômetro para medir o quão intenso é um Kata de um atleta é você tentar se imaginar no lugar de um dos seus adversários imaginários. E, neste caso, posso assegurar com absoluta certeza de que estar no meio de um Kata executado pelo Sensei Yahara seria um problema de proporsões inimagináveis. É claro que também ele é extremamente técnico. Afinal, trata-se de um Mestre de Karate com décadas de treinamento. Porém, fica nítido que ele não tem a menor intenção de florear o seu Kata apenas com o intuito de agradar aos árbitros. Ele simplesmente desenvolve os seus movimentos da forma como acredita que eles melhor funcionariam numa situação real, ou seja, é o Karate em sua essência mais pura. Não tenho dúvidas de que o Sensei Yahara comprovaria o segundo parágrafo desta postagem.


Kanazawa provavelmente é o mais completo karateca de todos, e o seu Kata comprova esta afirmação. Desde o momento em que ele anuncia o nome do Kata de forma calma, traqüila e nítida, fica óbvia qual será a grande diferença dele em relação aos dois anteriores. Mesmo não tendo nem a plasticidade nem o vigor físico do Valdesi, tampouco a agressividade e a combatividade do Yahara, Sensei Kanazawa deixa bem claro o porquê de ser o único terráqueo a ser reconhecido e respeitado como 10º. Dan de Karate. Seu Kata já ultrapassou todas as barreiras do técnico e do físico, estando, agora, num nível totalmente espiritual. Eu explico: no Karate, como em qualquer outra Arte, primeiro aprendemos a técnica, depois a forjamos e lapidamos, para, no fim, nos livrarmos dela e criarmos, assim, um novo Karate. É neste estágio que se encontra o Karate do Sensei Kanazawa. Porém, o mais importante que devemos entender é: não adianta tentar copiar o Kata dele tal como está agora. Para se atingir este nível, o praticante deve, obrigatoriamente, passar por todas as etapas de aprendizado, para, quem sabe, no final de sua vida conquistar o maior prêmio que o Karate pode nos deixar: saúde.

Concluindo, fiz um exercício mental de me imaginar no lugar de algum leigo que eventualmente venha a ler meu blog. Certo estou de que, aos olhos deste leigo, o melhor dos três Katas seria o do Valdesi. Creio que seja o mesmo caso de colocarem na minha frente um bom quadro retratista e uma obra-prima abstrata. Meus olhos desinformados se deixarão impressionar pela primeiro impacto visual do belo retrato, fazendo com que eu ignore (por conta da incompreensão) os infinitos atributos da outra obra. É assim que funciona o ser humano, sempre extremamente visual. Não a toa que, dos nossos cinco sentidos, o que mais nos faz falta e aquele que mais tememos perder é a visão. Contudo, cabe ao praticante de Karate tentar, na sua longa jornada, se livrar dessas limitações humanas e mundanas e transformar-se em alguém melhor do que ele já fora um dia: um verdadeiro Karateca.

ISTO É KARATE!

OSS!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O SOM DO CORAÇÃO #11: AMY JO JOHNSON


Diariamente, assistindo ao seriado Felicity, descobri que a atriz Amy Jo Johnson - muito mais do que abrilhantar a série no papel da linda e cativante Julie, para além, também, de ter sido a melhor e mais bonita Ranger Rosa de todos os tempos - possui, também, excelentes atributos enquanto cantora.

Em Felicity, esporadicamente, ela nos dá uma pequena amostra de sua voz, soando, apropriadamente, sempre melosa, carente e apaixonada. Abaixo, vão dois trechos bem bonitos de episódios que foram agraciados com a presença musical de Julie.

Clear Blue Day

Puddle of Grace

Aproveito para solicitar que, em caso de alguém encontrar ou ter a primeira canção, compartilhem-a comigo.

Agradecido!


OSS!

terça-feira, 5 de abril de 2011

DEU A LOUCA NO MUNDO #8: O CÓDIGO TARANTINO

Além de conter, realmente, diversas teorias no mínimo interessantes, a dinâmica estabelecida entre Selton Mello e Seu Jorge se mostra sensacional. Deu-me vontade de rever Cães de Aluguel, coisa que devo fazer nos próximos dias.


OSS!

domingo, 3 de abril de 2011

OS INTOCÁVEIS #1: A VIDA É BELA

A Vida é Bela é o filme mais bonito da história do Cinema. 


Agora, do segundo parágrafo em diante, eu vou tentar listar argumentos que me ajudem a "comprovar" esta corajosa e questionável afirmação acima. Digo corajosa, porque é sempre muito difícil para alguém que ama filmes listar apenas um título quando se têm uma vasta lista de nomes que poderiam, tranqüilamente, dividir o primeiro posto. Digo questionável, partindo do simples pressuposto de que eu não vi todos os filmes da história do Cinema, logo, como posso afirmar categoricamente que tal filme é o mais belo de todos?

Se você acompanha meu blog desde o seu nascimento há quase um ano atrás, lembrará que eu inaugurei a Série "CINEMA PARADISO" falando sobre a Saga Crepúsculo. Pois bem, naquele momento, meu amigo Thiago me alertou para a besteira que estava fazendo. Dizia ele: "cara, com tanta coisa para você escrever, tinha que ser bem Crepúsculo? Assim você me decepciona." 

Confesso que não dei tanta importância para aquilo, afinal, meu objetivo era apenas comentar, despretensiosamente, o assunto que tomava grande parte do tempo das pessoas e da mídia naqueles dias. Resultado: um ano depois, me vi sendo "obrigado" a inserir nesta mesma série inaugurada por Crepúsculo, simplesmente aquele que considero ser a obra mais tocante de todas as que eu já vi e, provavelmente, das que eu ainda não vi também. Conclusão: criei uma nova série. A partir de agora, filmes deste calibre serão devidamente comentados e respeitados como merecem de fato: INTOCÁVEIS.

O melhor (espero) argumento que eu posso dar (e o único que darei) para defender a afirmação acima feita é que A Vida é Bela é maravilhoso por conta das coisas que não podem ser explicadas por palavras. Pelo menos, não com as pobres minhas. Porém, podem ser plenamente sentidas se você estiver disposto a compreender a imensidão de amor que um homem pode ter por uma mulher e por seu filho. 

No maravilhoso primeiro ato do filme, somos apresentados a Guido Orefice (Roberto Benigni), um judeu de meia-idade sem nenhum tipo de beleza ou atrativo físico, mas que se torna - através da sua habilidade comunicativa e de uma incrível capacidade de criar fantasias encantadoras - cativante, sedutor e charmoso. Nesta parte, em meio a algumas trapalhadas e diversos encontros fortuitos, Guido conhece, acidentalmente (mesmo), a carente e casada Dora (Nicoletta Braschi). A partir de então, fará de tudo para conquistar o coração da moça, ao mesmo tempo em que o domínio nazista e a perseguição contra os judeus avançava por toda a Europa.

No vídeo abaixo, compilei uma série de momentos que comprovam o que descrevi  acima. Com absoluta maestria, Roberto Benigni - o diretor e o ator - cria uma série de passagens que, dotadas de uma simplicidade e de uma ingenuidade comovente, fazem com que o coração de Dora (e também o nosso), inicialmente rígido, amoleça e permita que ela crie a coragem necessária para se livrar das amarras que a prendem, partindo, assim, para a vida ao lado do homem que a ama. Vida esta, que certamente não será nem tão rica e tão nem fácil, mas que será absolutamente verdadeira.


No segundo ato do filme, de fato começam os problemas. Pai, mãe, filho e tio são levados para um campo de concetração nazista, dando início, assim, àquela que vem a ser a mais tocante e bela seqüência da história da Sétima Arte. Guido, mesmo diante de toda a tragédia que despencou sobre seus ombros, consegue encontrar amor e forças suficientes para criar uma fantasia na cabeça de seu pequeno filho  Giosué (Giorgio Cantarini), protegendo-o, assim, do ódio e do sofrimento que, injustamente, seria imposto à uma criança inocente pela escória da raça humana.

Contando com dezenas de passagens arrepiantes, e outras tantas divertidíssimas, A Vida é Bela jamais deixa de nos surpreender e de nos encantar, mesmo quando nos damos conta de que a tragédia irá ocorrer invariavelmente. Numa delas, apenas para exemplificar, Guido, preocupado em poupar o filho da realidade vivida, assume o posto de tradutor oficial de alemão do quarto em que eles e dezenas de outros judeus se encontram. De maneira simultaneamente triste e engraçada, ele consegue seu objetivo e, ao mesmo tempo,  escancara a ridícula postura superior adotada pelos nazistas, comovendo, então, todos os demais judeus que, mesmo sem terem compreendido de fato o teor da mensagem, sentem-se incapazes de criar qualquer tipo de caso justamente por verem o tamanho da coragem e do amor que Guido precisou ter para fazer aquilo.

Porém, o que de fato torna o filme único e insuperável, é a capacidade que ele tem de reunir em uma simples frase, numa curta cena, em duas simples palavrinhas, uma imensidão de sentimentos que mesmo em dezenas de páginas eu não conseguiria descrever. Basta ver e sentir.

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Já vi muita gente criticando o desfecho do filme. A estes, transcreverei as seguintes palavras que iniciam A Vida é Bela:

"
Esta é uma história simples. 
No entanto, não é fácil contá-la. 
Como numa fábula, há dor. 
E, como numa fábula, ela é cheia de maravilhas e de felicidade.
"
Encontre seu tanque.



OSS!

sábado, 2 de abril de 2011

O SOM DO CORAÇÃO #10: WHAT AM I TO YOU? - NORAH JONES

Das nove postagens musicais anteriores, sete eram de músicas nacionais. Creio que esta estatística demonstra bem o quanto de espaço os dois "tipos" de música ocupam no meu rádio. Sou um amante da Língua Portuguesa. Aprecio demais o som do Português. Além disso, procuro aperfeiçoar a minha comunicação com as pessoas e gosto de compreender o que estão querendo me dizer em sua totalidade, então, sendo assim, as músicas cantadas no nosso idioma pátrio sempre são mais atrativas para os meus ouvidos.

Mas, isso não impede, porém, de eu me pegar apreciando uma bela canção em outro idioma. Aqui mesmo neste blog, já postei, além das duas canções deduzidas acima, a linda mescla de línguas de "Que Sera, Sera / Whatever Will Be, Will Be", do maravilhoso filme Mary & Max. Hoje, lembrei de uma canção que não escutava há muito tempo. A voz em questão é da doce Norah Jones, que sempre consegue transformar (para mim, claro) o pior congestionamento ou a maior raiva num momento de tranqüilidade e paz. 


WHAT AM I TO YOU? 
(O QUE SOU PARA VOCÊ?)

O que sou para você?
Me diga, querido, a verdade.
Para mim, você é o mar,
tão vasto quanto pode ser,
e da cor azul mais profunda.

Quando você está se sentindo triste,
a quem mais você procura?
Eu choraria se você se machucasse.
Eu te daria minha última camisa
porque eu te amo demais.

Agora, se meu céu caísse,
você iria, ao menos, me ligar?
Eu abri meu coração.
Eu nunca quero me separar.
Eu estou passando a bola para você.

Quando eu olho em seus olhos,
eu posso sentir um frio na barriga.
Eu te amarei quando você estiver triste.
Mas me diga, querido, a verdade:
o que sou para você?

Se o meu céu caísse,
você iria, ao menos, me ligar?
Eu abri meu coração.
Eu nunca quero me separar.
Eu estou passando a bola para você.

Quando eu olho em seus olhos,
eu posso sentir um frio na barriga.
Você poderia ver em mim um amor?
Você gravaria meu nome em uma árvore?
Não encha meu coração de mentiras.
Eu te amarei quando você estiver triste.
Mas me diga, querido, a verdade:

O que sou para você?

OSS!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

KARATE KID #3: KARATE KIDS


É impressionante o nível do Karate destas crianças do vídeo abaixo. O menino - de seis anos de idade - e a garota - de sete - prestavam, neste dia, o exame para se graduarem Faixas Pretas. Ambos foram aprovados, como a própria descrição do vídeo no YouTube se incumbe de nos informar. Mas, neste caso, não posso deixar a oportunidade de colocar em discussão um fato que tem sido cada vez mais comum e freqüente no mundo das Artes Marcias atualmente: graduação de Faixas Pretas cada vez mais novos.

Penso que ser um Faixa Preta de Karate (ou de qualquer outra Arte Marcial) implica em responsabilidades que estão além de apenas possuir certas habilidades técnicas e físicas. Eu sempre aprendi que o Faixa Preta verdadeiro é aquele que mostra de fato a cor da sua faixa durante as vinte quatro horas do dia. É aquele que sabe a importância de, além de reter o conhecimento, conseguir transmiti-lo, mesmo não sendo ele um Sensei. É aquele que, através da experiência de vida e da experiência de anos e anos de Dojo, aprendeu o caminho para fazer com que os conhecimentos advindos da prática exaustiva do Karate tornem-se seus aliados eternos na, muitas vezes, dura jornada da vida.

Pois bem, o que dizer então para estas duas crianças que exibiram, magistralmente, domínio absoluto da técnica do Karate? Devemos impedi-las de se tornarem Faixas Pretas por serem tão jovens? Seguindo a lógica dos argumentos que apontei acima, sim. O que na verdade acho que deve ser feito, é um tempo de maturação maior do praticante entre uma faixa e outra. Muitas vezes, o Sensei se vê numa situação delicada na qual existe a pressão das crianças (e muitas vezes dos pais) para avançarem rapidamente nas faixas. Receoso de perder o aluno ou de desmotivá-lo, o Professor acaba cedendo e permitindo que um aluno demasiadamente jovem ou despreparado adquira uma graduação que não mereça de fato. E, de graduação em graduação, essa bola de neve vai aumentando numa relação inversamente proporcional à qualidade do Karate em questão.

O triste final da história é termos, atualmente, uma quantidade impressionante de crianças Faixas Pretas que, por conta da imaturidade natural, não sabem (e nem teriam como) se portar com tamanha responsabilidade amarrada na cintura. Com isso, o maior perdedor é o próprio Karate, que continuará, cada vez mais, a ser desacreditado e perderá um público importante que busca algo mais verdadeiro e menos imediatista.

Mas, não deixa de ser impressionante o nível destas crianças. Vejam!


O crédito pelo vídeo vai para o Marcelo, meu aluno eventual. Obrigado.

OSS!