quinta-feira, 21 de maio de 2015

MULHER NOTA 1000 #13: BRIGITTE NIELSEN

Ah! Linda Brigitte, musa dos anos 80/90... 

Que atire a primeira pedra quem nunca foi apaixonado por ela!


OSS!

terça-feira, 19 de maio de 2015

O CARTEIRO E O POETA #23: MUSASHI EM "A FLAUTA - PRIMEIRA PARTE"



[...]

Antes de saírem, destinados à pernoitar na densa floresta que cercava a Vila Miyamoto, Takuan pedira a Otsu que preparasse comida, muita comida: bolinhos de arroz, temperos, carne e saquê compunham a principal "arma" numa caçada onde a força bruta era, sabidamente, desproporcional. 

Contudo, em nenhum momento o sábio monge lograra seguir por este caminho. Conhecedor prévio da má fama de Takezo, ele já sabia que seria inútil envolver-se com o objeto de sua caçada em um confronto físico, sendo assim, usaria as armas que lhe eram mais desenvolvidas e favoráveis: o cérebro e a língua sempre afiada.

Estabelecido o local do acampamento, um ligeiro declive em campo aberto ilhado por mata-fechada em todos os lados, Takuan sentou-se, cruzou suas pernas e pôs-se em meditação. Porém, mal teve tempo de espantar os primeiros pensamentos que lhe viriam, fora brutalmente interpelado por uma Otsu atônita: 

- O quê? O senhor faz um acordo absurdo com o comandante do Bigodinho-de-Arame, dando tua própria e inútil cabeça como prêmio, ainda por cima me envolvendo nesta loucura toda, e agora irá rezar? Não pode ser. - desesperou-se.

O bonzo, sempre muito sereno, sequer abriu os olhos para responder: 

- Sugiro que faça o mesmo, pequena Otsu. Temos uma árdua caçada pela frente. 

- É inacreditável. INACREDITÁVEL! O que eu estava na cabeça quando aceitei participar disso? O senhor só pode ser louco! - exclamou Otsu, incrédula.

- Otsu-San, fala-te mais baixo, por favor, pois assim estás espantando até mesmo a pobre Deusa Kannon, a quem agora rogo por caridade e benevolência pelas nossas almas e também pela alma perdida daquele que viemos buscar. 

Sem que nada mais houvesse a ser feito para modificar a situação em que se encontrava, Otsu tratara de se aninhar e descansar, pois esta era apenas a primeira de três longas noites que se seguiriam. E logo fora acompanhada por Takuan, assim que este finalizou suas preces. 

(...)

Passados dois dias e duas noites nos quais tudo o que fizeram fora esperar que Takezo viesse-lhes servido em uma bandeja, a jovem noiva - já completamente descrente da sanidade do monge, e incrédula de que obteriam êxito na missão - pôs-se em prantos desesperada:

- Monge Takuan, eu lhe imploro, vamos levantar e procurar Takezo. Já estamos aqui há mais de quarenta e oito horas e nada. Eu não quero que o senhor perca sua cabeça, eu não quero... - e repetia como típica criança contrariada.

Eis, então, que Takuan, até então calado, fez com o dedo indicador um gesto que despertou esperança em Otsu, e na sequência profetizou: 

- Certo, Otsu-San. Eu tenho um plano. Apure os ouvidos: vejo que carregas contigo um belo exemplar de instrumento musical. Ao que vejo, numa análise superficial, aparenta ser uma flauta muito rara e valiosa, talvez uma relíquia familiar. Fiquei sabendo, através do teu senhorio do templo Shippoji, que és exímia instrumentista. Pois bem, ponha-te a tocar e acalente nossas almas nesta fria e solitária noite. 

Mal terminou de dizer, Takuan aprumou-se a espera do flutuar das primeiras notas, entretanto Otsu estava obstinada em desobedecê-lo: 

- De jeito nenhum, seu monge maluco. O senhor está a menos de dois dias de perder a cabeça e me pede para tocar flauta? É muito mais maluco do que imaginei... 

- Otsu-San, Otsu-San, não digas bobagens. Pensa-te em expurgar tua alma; Usa-te agora esta pequena flauta, estes preciosos quarenta centímetros de comprimento, para sintetizar o magnífico ser humano que em ti habitas; Dizem que através dos sete orifícios da flauta - Kan, Go, Jou, Saku, Mu, Ge e Ku - podemos alcançar as cinco paixões humanas - prazer, alegria, ódio, ira e mágoa -, pois bem, menina teimosa, mostre-me o universo recôndito que há em ti, e eu garanto que Takezo-San nos virá rastejando, implorando para ser pego, como se fora uma oferenda dos deuses em gratidão. 

[...] continua.

________________________________________________________________________
Este trecho não corresponde na integralidade à obra MUSASHI de EIJI YOSHIKAWA. São apenas as minhas principais memórias sobre a história, transcritas, sucintamente, com minhas pobres palavras. Não deixem de adquirir a obra original caso estejam gostando de acompanhar. 

OSS!


quinta-feira, 7 de maio de 2015

KARATE KID #15: "REIGI O OMONZURU KOTO"



Meu amigo e Sensei de Aikido - Roberto - presenteou a mim e a todos os meus alunos com estas pequenas e profundas palavras acerca deste que é um dos principais preceitos das Artes Marciais e da vida. Por isso, faço questão de compartilhar com todos vocês que me acompanham, porque certo estou de que encontrarão uma maneira de adaptar os conhecimentos implícitos em cada linha deste texto à vida de vocês.
Peço, então, licença ao amigo sensei para adaptar, aqui, a infinidade de conhecimentos que ele me transmitira:
" 'REIGI O OMONZURU KOTO' Onegai shimasu: por favor.
Domo arigato gozaimashita: muito obrigado.
Gommen nassai: desculpe-me.
Sumimassen: sinto muito.
Hai: sim (atitude positiva).
Oss: presença estado de atenção; concordância; empenho; não existe tradução literal.
Tudo isso é REIGI: etiqueta, educação.
Quando nos submetemos a uma arte ou disciplina, seja ela qual for, isso deve estar sempre sendo respeitado.
Nas artes marciais em particular, REIGI é algo importantíssimo, e não é porque algumas artes ou linhagens
diminuíram seu uso que deixaram de ser importante, pelo contrário.
O código de etiqueta de cada arte trás em si tudo isso, mas se não PRATICARMOS as condutas, simplesmente não entenderemos.
Hoje, na sociedade em que vivemos, nos esquecemos até mesmo de dizer "bom dia". Um Bushi (guerreiro) antigo olhava para tudo isso com inestimável importância, pois tinha em si que era necessário viver verdadeiramente cada respiro, justamente por não saber a hora exata de sua partida. Para ele, era importante chegar ao derradeiro momento tendo a certeza de que fizera tudo que estava ao seu alcance na sua jornada de descobrimentos (DO - CAMINHO).
Para um estudante marcial, não deve existir "não entendi", existe "Hai" ou "Oss".
Quando temos dúvida, não existe "vem aqui" ou "só Isso". Existe "onegaishimasu" - "por favor, me ensine"; ou "gommennassai" - "desculpe-me, me explique."
Então pergunto aos que considero irmãos de jornada:
O que é mais importante: a reverência silenciosa ao aprendizado ou o latido do ego para provar posições e pseudo verdades?
Afinal, como já dizia meu Sensei:
"Na vida todos somos iguais, pois todos somos um. E se, ao sermos todos um, se você não ouve ao próximo, você não ouve a si mesmo."
REIGI O OMONZURU KOTO. Respeito acima de tudo!"
OSS!

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O CARTEIRO E O POETA #22: MUSASHI EM "O BIGODINHO-DE-ARAME"




(...)

Identificado em meio à multidão nos festejos do aniversário de Buda, Takezo fora obrigado a desaparecer por completo da Vila Miyamoto. Os moradores, organizados pelo comandante do posto de inspeção conhecido pelo caricato apelido "Bigodinho-de-Arame", revezavam-se nas buscas, dia, noite e madrugada adentro, e dentre todas as pessoas que o procuravam, uma em especial julgava ter motivos de sobra para pôr as mãos nele: Osugi - a matriarca dos Hon´I´den. 

Entretanto, Takezo não estava disposto a ceder facilmente. Acostumado a fazer longas peregrinações por dias, talvez semanas, e familiarizado às mazelas da guerra, não seriam duas ou três noites de fuga que o fariam cansar. (...)

Toda a rotina da Vila Miyamoto alterara-se em prol da captura de um único e inocente homem, e isso passou a incomodar um ilustre visitante que se hospedara, já há alguns dias, no templo Shippoji: Monge Shuho Takuan.

Por ver o dia-a-dia dos aldeões ser totalmente modificado em torno de uma causa inválida, Monge Takuan, homem letrado, eloquente e prepotente, do alto dos seus trinta e poucos anos, resolvera se manifestar. Pedira a Otsu que chamasse o comandante Bigodinho-de-Arame, e, cheio de arrogância, ao com ele se encontrar, despejara: 

- Boa tarde, senhor Bigodinho. Seria o senhor o responsável por esta arruaça?  

Empalidecido pela ousadia do sacristão, o comandante de alto escalão retrucara ameaçador: 

- Quem pensas que és para assim falares comigo, seu insolente? Escolhas melhor o que dizeis para que não recebas ordem de prisão, quiçá execução, aqui mesmo, padreco. 

Takuan mantivera por todo tempo um sorriso de canto de boca, típico daqueles que detêm o total domínio da situação e, propositadamente, apenas prorrogara o prazer intrínseco que tal discussão lhe trazia:

- Você não é capaz. Aliás, é isto que você é: um incapaz. Mesmo contando com todos os homens da aldeia, vinte e quatro horas por dia, não conseguira capturar um único e afugentado homem. Você desconhece os dizeres da Arte da Guerra, e por isso anda em círculos em sua busca, fazendo com que seu inimigo desdenhe jocosamente da sua posição. Fosse um homem letrado, saberia tudo o que Sun Tzu tem a dizer sobre o assunto, e já teria Takezo amarrado a um esticar de braços há muito tempo.

Desafiado e humilhado, Bigodinho-de-Arame, prostrara-se: 

- Ora, seu insolente! Espero que tenhas um plano melhor, então...

E como se apenas aguardasse esta deixa, Takuan já emendou:

- Tenho, sim. Na verdade, eu sou a sua salvação. O plano é o seguinte: você ordenará que as buscas cessem imediatamente para que os aldeões voltem a trabalhar na lavoura. Eu mesmo, Shuho Takuan, capturarei Takezo e o trarei ao povo da Vila. Peço-te apenas que me dê 72h para tal feito, e a minha única exigência é que, cumprida a missão, ficará ao meu cargo a aplicação da punição. 

Aparentemente, a insolência de Takuan era infinita e apenas proporcional à segurança que demonstrara em todo o diálogo. Sem tem o que dizer, até porque já não mais sabia o que fazer para pegar Takezo, e, ainda que humilhado pelas ásperas palavras do Monge, o comandante Bigodinho-de-Arame apenas assentiu com o plano e finalizara: 

- Estou de acordo, seu bonzo petulante. Mas, saiba que, se falhais, eu mesmo - Tsujikase Tenma - terei o prazer de desprender tua cabeça do teu corpo. (...)

Continua... 

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Observação: este trecho não corresponde na literalidade à obra MUSASHI de Eiji

Yoshikawa. Tratam-se apenas das minhas memórias sobre a história, transcritas,

sucintamente, com as minhas palavras. Não deixem de ler o livro caso estejam gostando. 



OSS!

terça-feira, 28 de abril de 2015

O CARTEIRO E O POETA #21: MUSASHI EM "A BESTA-FERA".



Musashi-Sama, maior Samurai da história do Japão, nem sempre vivera sob os preceitos do honrado código do Bushido. Nascido na Vila Miyamoto, filho de Shinmen Munisai, Takezo (o seu nome de batismo) desde sempre se mostrara um bravo guerreiro. Extremamente robusto, alto e forte para os padrões da época, e dotado de um espírito inabalável, ainda pré-adolescente suplantou homens com o triplo de sua idade e experiência marcial. Era visto por todos em sua aldeia como um animal, uma besta-fera. 

Ainda adolescente, aos 17 anos, aliciou seu melhor amigo, Hon´i´den Matahachi, para que o seguisse nos campos da Batalha de Sekigahara. Vigorosamente, defenderam a bandeira de seu suserano e com ela tombaram. Derrotados, foram obrigados a moribundear a esmo pelo interior do Japão, até encontrarem abrigo na casa de uma fogosa viúva quarentona, Okoo, de onde Matahachi - mesmo sabendo que sua noiva Otsu o aguardara  - nunca mais saiu. 

Contrariado, Takezo viu-se na obrigação de retornar sozinho a sua terra-natal para dar a notícia à mãe do amigo. Ele sabia que não seria nada fácil ter de encarar e dizer à velha Osugi, matriarca dos Hon´i´den, que o filho optara, por livre e espontânea vontade, por não voltar, abandonando, assim, todos os seus laços consanguíneos. Não restam dúvidas de que esta incumbência não lhe agradaria em nada, contudo, ciente de que não tivera culpa na decisão do amigo, Takezo se pôs reticente a caminhar em direção à Vila Miyamoto. (...)

O dia era festivo. A vila comemorava o nascimento de Buda em uma grande celebração popular. Em meio à multidão, um rosto surrado pelas dízimas da guerra destoava dos demais: era Takezo-San que, sujo e maltrapilho, retornara à terra-natal. Todavia, não esperava que lhe saudassem, servissem bolinhos nem saquê. Sabia exatamente da acidez de sua missão, e lograva cumpri-la prontamente. Eis que, então, num átimo de desatenção, se deixara ser avistado por ninguém menos que Otsu-San, a mais linda noiva, órfã de pai e mãe, que havia em toda a Vila Miyamoto, e que, agora, ainda tão jovem, acabara de se tornar órfã também de seu futuro marido... 

... continua. 

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Observação: este trecho não corresponde na literalidade à obra MUSASHI de Eiji Yoshikawa. Tratam-se apenas das minhas memórias sobre a história, transcritas, sucintamente, com as minhas palavras. Não deixem de ler o livro caso estejam gostando. 

OSS!

sábado, 25 de abril de 2015

O CARTEIRO E O POETA #20: SONETO DOS CEM-SENTIDOS

SONETO DOS CEM-SENTIDOS

De olhos fechados aprendi a te amar,
A confiar na verdade do que sinto,
Pois quão belo é nosso amor, não minto!
Faz-me, sem medo, a ti me entregar.

No silêncio aprendi a te sentir,
E sem sentido, de repente, tudo seria,
Se por qualquer senão, razão, todavia,
O futuro, o presente, contigo não dividir.

E se olhos, ouvidos e pele: tudo junto,
Insuficientes ainda são para mensurar,
Nem mesmo o intocável, o intangível: o conjunto.

Consigam, ao nosso amor, substantivar.
E para mais sem-palavras empregar a este assunto,
Amo-te para sempre - repito - até o último dos meus olhos fechar.

Danilo Peres


OSS!

sábado, 18 de abril de 2015

MULHER NOTA 1000 #12: SCARLETT JOHANSSON

Ah... Viúva Negra... ! 



OSS!

O ÚLTIMO GRANDE HERÓI #1: MEU AVÔ



Por um dia, por um único dia, eu ousei considerar-me parecido com meu avô.

Na foto, ele, vinte e poucos anos, o mais bonito; eu, vinte e poucos anos, o impostor. Tratava-se apenas de uma pequena tentativa de homenagear ao homem que, desde meus primeiros dias, aninhou-me em sua proeminente barriga, um dos poucos lugares do Planeta Terra onde, de acordo com a minha mãe, eu encontrava conforto suficiente para adormecer. (...)

Anos depois, vieram as intermináveis e épicas batalhas pela supremacia em "Eternia", e aqui abro um parênteses aos que desconhecem o substantivo próprio: "Eternia" é o nome dado ao planeta do He-Man, personagem-ícone dos anos 80, e que meu avô ajudou-me incessantemente a proteger contra as cruéis investidas do malfeitor Esqueleto. Foram longos e pacientes anos ao lado dele, na árdua missão de proteger o Castelo de Grayskull. (...)

Já no Colégio Marista, na sala da 1ª. série da tia Ana Maria, que localizava-se paralelamente ao extinto campo de futebol, eu, por ainda ser jovem e não sofrer de astigmatismo, conseguia avistar ao longe a figura diminuta do meu avô a me buscar, sempre impecavelmente pontual. Saíamos juntos dali e seguíamos ao Castro Salgados, (este herculeamente sobrevive), onde eu tomava a também extinta Coca-Cola Diet com alguma esfirra qualquer. (...)

Ainda no final da minha infância, primeira parte dos anos 90 - época em que os cinemas em shoppings inexistiam -, meu avô me levara para conhecer um dos seus dois empregos. Ele se dividia, orgulhosamente, entre as funções de gerente do extinto departamento de Correios e Telégrafos, e gerente de uma dezena de salas de cinema em nossa Ribeirão Preto. "Cine Santana" e "Cine Centenário" foram nomes ouvidos à exaustão por mim, e agradeço por ter tido o privilégio de conhecer de perto toda a mecânica envolvida nos bastidores de uma destas saudosas salas. (...)

Acometido há alguns anos pelo impiedoso Mal de Parkinson e admoestado severas vezes pela vida, meu avô - nem assim - perdeu por um segundo sequer uma das suas características mais marcantes: sua dignidade. Com ela, enfrentou a maior das dores que um pai pode sentir, a do luto pelo próprio filho. E, posteriormente, num intervalo semelhante ao de um piscar de olhos (para quem viveu por nove décadas), perdeu o seu grande amor: minha querida avó, mulher com a qual esteve casado por mais de 60 anos.

Ontem, tal qual o campo de futebol do Marista, a Coca-Cola Diet, as salas de cinema do centro da cidade, meu tio e minha avó, meu avô também se foi. Foi-se mas deixou aqui filhos e netos, especialmente este que vos escreve, orgulhosos de termos, com ele, compartilhado as nossas vidas, e honrados de termos feito parte da dele.

As lembranças acima apenas ilustram pontualmente uma ínfima parte de tudo que ele significou para mim. Há muito, muito mais! Mas, por ora, ficamos por aqui. É o que, no momento, me interessa lembrar e compartilhar, torcendo, claro, para que, um dia, quem sabe, se hombridade também for compartilhada através dos genes, eu possa novamente ousar considerar-me parecido com ele.

OSS!

terça-feira, 14 de abril de 2015

O CARTEIRO E O POETA #19: O TEMPO PASSA? NÃO PASSA / ♪COMO VAI VOCÊ?♪

Há pouco mais de um ano, assistia ao tradicional especial de Natal quando fui surpreendido por isto: 


O tempo passa? Não passa.
O tempo passa. 
Não passa no abismo do coração,
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.
O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.
Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.
O meu tempo é o teu, amada.
Transcende qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.
São mitos de calendário,
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora.
E nosso amor que brotou
do tempo não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade!
Carlos Drummond de Andrade
OSS!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

CINEMA PARADISO #22: ANTES DO AMANHECER


O Cinema já nos provou por diversas vezes que é possível se criar algo magistral apenas com uma câmera ligada da maneira correta e, invariavelmente, com a ajuda de uma boa trilha sonora. No fim das contas, são estas pequenas jóias raras que irão permanecer em nossa memória daqui a vinte ou trinta anos, quando os efeitos especiais já não couberem mais na tela, e tais sutilezas se mostrarem cada vez mais raras.

Neste sentido, Antes do Amanhecer é uma pequena obra-prima, concebido em pinceladas meticulosas e recheadas de significado. Jesse e Celine - os protagonistas - são, neste ballet, os exímios dançarinos que, durante 100 minutos, ornam nossas telas com seu magnetismo impressionante.

E digo "magnetismo" pois não há um segundo sequer do longa que seja descartável, e, ainda que concebido dentro de uma estrutura extremamente simples, (basicamente o filme se passa ao longo de pouco mais de 12 ou 14 horas, nas quais os atores caminham e conversam sobre a vida, tendo como "cenário" a própria cidade de Viena), em nenhum momento ele se torna cansativo ou repetitivo.

Isto, em particular, deve-se ao primoroso roteiro de Richard Linklater (Boyhood), e à sua grandiosa capacidade de escrever diálogos memoráveis  e profundos, (vide a excepcional animação "Waking Life"), sem que, com isso, se tornem enfadonhos e entediantes. Pelo contrário: a qualidade do material final é tão incrível, que se torna impossível escolher somente um trecho em específico. Porém, apenas para ilustrar, vê-se nitidamente que o material serviu como fonte de inspiração para cenas que apareceriam em longas futuros, mas que, visivelmente vieram neste aqui se alimentar, exemplo, o diálogo ocorrido em um ônibus se assemelha enormemente - em forma e conteúdo - ao similar encontrado em Closer.

Todavia, Antes do Amanhecer é, acima de tudo, um filme de amor. Ele nos presenteia com a tocante história de duas almas solitárias, que, ainda que inicialmente não quisessem passar essa impressão, ansiavam por encontrar um ao outro, na esperança de que este encontro pudesse abafar suas carências e suas necessidades mais íntimas. Donos de históricos já suficientemente povoados de acontecimentos mal sucedidos, Jesse e Celine vão se envolvendo à medida em que percebem que, mesmo tão diferentes entre si, conseguem suplantar esta barreira apenas por saberem que um "acaso" tão encantador não acontece assim todos os dias, então, na dúvida, "desça do trem".

E o amor é um sentimento tão poderoso que, além de conseguir ser captado na mais silenciosa das cenas (como a escolhida acima), é capaz de se fazer presente, ainda que não consigamos entender o que se está sendo dito. Neste sentido, e numa metáfora fabulosa, as primeiras falas proferidas no filme são em alemão, idioma este que pouquíssimos serão capazes de compreender enquanto o assistem, e, ainda que as falas não recebam legenda, somos plenamente capazes de deduzir o que está se passando, para, na sequência, servirem de ponto de partida para uma das mais belas histórias de amor da história do Cinema.

OSS!

sábado, 4 de abril de 2015

MULHER NOTA 1000 #11: NATALIE PORTMAN

Ah... Natalie... Closer, por favor!


OSS! 

O CARTEIRO E O POETA #18: FALTA

A FALTA DO SENTIR / SENTINDO FALTA

Trilha:

FALTA

Sinto falta de juízo, de preciso, de sorriso,
Sinto falta do seio, do receio, do devaneio,
Sinto falta de dormir e de acordado sonhar,
Sinto falta da nudez, da roupa,
Sinto falta da boca!

Sinto falta da loucura, da procura, da fissura,
Sinto falta do medo, do enredo, do segredo,
Sinto falta do toque e do enrosque,
Sinto falta do apelo, falta do cheiro,
Sinto falta do cabelo...

E das tantas faltas que sinto,
Sinto mais falta do que não tive – ao que tive,
Mas, acima de tudo, falta do onde jamais estive...
Pois - é duro - e certo que sobre isso não minto:
Justo eu que tanta falta sinto,
Tanta falta sinto,
TANTA FALTA SINTO!

E a falta é tanta que já nem mais sei do quê,
Então sem muito ter a fazer,
Que não estar a sentir e prosseguir a dizer,
De modo preciso, conciso, sucinto,
Que toda a falta que sinto,
É você...
É você...
É VOCÊ! 

Danilo Peres

segunda-feira, 30 de março de 2015

KARATE KID #14: O MESTRE E O CAMPEÃO - "SOBRE O VALOR DE UMA CONQUISTA"




Nas Artes Marciais, buscamos, sim, conquistas grandiosas. Porém, enganam-se os que pensam que me refiro à medalhas e troféus. Estes seriam apenas pequenas consequências naturais do treinamento e da dedicação árdua. Já os valores transmitidos marcialmente ao indivíduo, na escala de importância humana, estão e sempre deverão estar muito acima do que pesa uma medalha, que nada mais é do que um retrato momentâneo e fugaz de domínio técnico. Arte Marcial não se resume a isto. 


E neste sentido, quem até hoje melhor sintetizou o sentido de uma conquista esportiva, foi um renomado Sensei da primeira geração de mestres que pisou no Brasil. 

Segue a história:


Em meados da década de 70, acontecia, naquele dia, o Campeonato Brasileiro de Karate. Atletas do Brasil inteiro, diga-se de passagem, a geração de ouro do Karate nacional, disputavam, luta-a-luta, para ver quem voltaria para casa consagrado. Eis, então, que um atleta paulistano, após vencer todos os seus embates, sagra-se pela primeira vez campeão nacional. Extasiado pelo prazer da conquista, após receber a medalha, aproxima-se do seu Sensei (o que citei acima) e diz:


- Sensei, Sensei, eu consegui! Sou campeão brasileiro de Karate! 

Ao que, com a frieza que só os orientais sabem ter, o Mestre responde: 

- Você campeão? Campeão de quê? 

- Como assim, Sensei, o senhor não viu? Venci sete lutas... aqui está a medalha...

Feito um breve silêncio, o velho Mestre prossegue: 

- Hum, então você é campeão. Bom, já que é campeão, me diga uma coisa: se o torneio começasse novamente agora, neste exato momento, e você tivesse que lutar contra os sete adversários outra vez, você me GARANTE que continuaria sendo o vencedor? 

Sem nem precisar pensar muito a respeito, o campeão replica: 

- Não, Sensei. É impossível te garantir isso. 

...

- Então você não é campeão de nada! Amanhã tem que treinar mais.

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(Esta história foi-me contada muitos anos atrás por uma pessoa que não teria, por motivo algum, razão para inventá-la. Além do que, convenhamos: ainda que haja uma certa "liberdade poética" nela, não conheço nenhuma outra mais perfeita para sintetizar o que o deve ser o pensamento de um verdadeiro artista marcial.)


OSS!

quinta-feira, 26 de março de 2015

MULHER NOTA 1000 #10: YELENA ISINBAYEVA


Ahh... Isinbayeva!

OSS!

O CARTEIRO E O POETA #17: MUSASHI EM "A PEÔNIA".



Musashi-Sama era excelente espadachim. Mais do que isso, notara, ainda jovem, que, no caminho das Artes Marciais, era necessário ter muito mais do que simples habilidade física e técnica para se destacar.

Num belo dia, decidiu que gostaria de se encontrar pessoalmente com aquele que era considerado um gênio da espada japonesa: o velho Yagyu Sekishusai, senhor do Castelo de Yagyu, um dos mais respeitados de todo o Japão.

Percorrendo o Japão no encalço do ancião, hospedou-se em muitas casas e estaleiros pelo caminho, e, em um deles, por uma incrível coincidência da vida, encontrava-se no banheiro no exato instante em que dois homens adentraram. Um deles, alto, robusto e de aspecto familiar: tratava-se de Yoshioka Denshichiro, o segundo espadachim mais importante na linhagem dos Yoshioka - outro clã de enorme respeito no Japão feudal.

Denshichiro, que acabara de tentar se encontrar com o velho Sekishusai, ainda ostentava em suas mãos uma peônia, enquanto dizia ao outro:

- Velho tolo! Atravesso o país para conhecê-lo e o sujeito sequer me atende pessoalmente.

Faz um pequena pausa e prossegue:

- Em vez disso manda que um jardineiro qualquer me entregue esta flor idiota. Eu devia saber que ele seria uma fraude. - esbraveja e, ato contínuo, arremessa a flor ao chão.

Musashi-Sama, que noutro canto escutara tudo silenciosamente, aguardou a retirada dos dois homens e foi de encontro à flor. Resgatou-a e percorreu seu olhar, maravilhado, por toda a dimensão daquela inacreditável obra da criação divina. 

Entretanto, o choque maior ocorreu quando se deparou com o corte feito meticulosamente no caule do vegetal: um corte seco, transversal, preciso e, ao mesmo tempo, delicado. Musashi-Sama sabia que aquele corte só poderia ter saído das mãos de um espadachim extremamente habilidoso, visto que ele próprio sentia-se incapaz de fazer algo sequer próximo àquilo, e, maravilhado, não pode evitar o inocente pensamento que se seguiu:

"Se um simples jardineiro do Castelo Yagyu é capaz de fazer algo assim, o que dirá, então, o Mestre Sekishusai! Eu realmente preciso conhecer esse grande homem."

Musashi-Sama jamais cogitou que o corte pudesse ter sido feito pelo próprio patriarca do castelo.

Musashi-Sama ainda tinha em seu coração a pureza dos grandes artistas marciais.

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Observação: este trecho não foi retirado da obra original "Musashi", de Eiji Yoshikawa. Tratam-se apenas das memórias que foram em mim criadas sobre o referido capítulo.

OSS!

sábado, 21 de março de 2015

O SOM DO CORAÇÃO #29: CAT STEVENS - ♪FATHER AND SON♪

Da série "se for para cantar, que seja com a alma".



OSS!

MULHER NOTA 1000: #9: JULIANNE MOORE

Ah... Julianne!


*-*

OSS!

O CARTEIRO E O POETA #16: SONETO DO AMOR ESCONDIDO

SONETO DO AMOR ESCONDIDO

O nosso amor se esconde nas pequenas coisas,
Nos pequenos gestos.
Esconde-se a ponto de parecer invisível, por contraditório que seja,
Aos olhos dos que o desconhecem: o amor!

O nosso amor, por também contraditório que seja,
Se encontra nas pequenas coisas, nos pequenos gestos.
Encontra-se a ponto de, aos olhos que o conhecem, parecer infinito,
imperturbável, inquebrável: o nosso amor!

E, por ainda mais contraditório que seja,
Escondido, desencontrado e invisível,
Até mesmo os desacostumados olhos que não o sabem ver,

Sentem que ali ele está: o amor.
Pois não há, desconheço, me cego, diante de olhos que não reconheçam
Os pequenos gestos do amar.


Danilo Peres


OSS!