segunda-feira, 30 de março de 2015

KARATE KID #14: O MESTRE E O CAMPEÃO - "SOBRE O VALOR DE UMA CONQUISTA"




Nas Artes Marciais, buscamos, sim, conquistas grandiosas. Porém, enganam-se os que pensam que me refiro à medalhas e troféus. Estes seriam apenas pequenas consequências naturais do treinamento e da dedicação árdua. Já os valores transmitidos marcialmente ao indivíduo, na escala de importância humana, estão e sempre deverão estar muito acima do que pesa uma medalha, que nada mais é do que um retrato momentâneo e fugaz de domínio técnico. Arte Marcial não se resume a isto. 


E neste sentido, quem até hoje melhor sintetizou o sentido de uma conquista esportiva, foi um renomado Sensei da primeira geração de mestres que pisou no Brasil. 

Segue a história:


Em meados da década de 70, acontecia, naquele dia, o Campeonato Brasileiro de Karate. Atletas do Brasil inteiro, diga-se de passagem, a geração de ouro do Karate nacional, disputavam, luta-a-luta, para ver quem voltaria para casa consagrado. Eis, então, que um atleta paulistano, após vencer todos os seus embates, sagra-se pela primeira vez campeão nacional. Extasiado pelo prazer da conquista, após receber a medalha, aproxima-se do seu Sensei (o que citei acima) e diz:


- Sensei, Sensei, eu consegui! Sou campeão brasileiro de Karate! 

Ao que, com a frieza que só os orientais sabem ter, o Mestre responde: 

- Você campeão? Campeão de quê? 

- Como assim, Sensei, o senhor não viu? Venci sete lutas... aqui está a medalha...

Feito um breve silêncio, o velho Mestre prossegue: 

- Hum, então você é campeão. Bom, já que é campeão, me diga uma coisa: se o torneio começasse novamente agora, neste exato momento, e você tivesse que lutar contra os sete adversários outra vez, você me GARANTE que continuaria sendo o vencedor? 

Sem nem precisar pensar muito a respeito, o campeão replica: 

- Não, Sensei. É impossível te garantir isso. 

...

- Então você não é campeão de nada! Amanhã tem que treinar mais.

---------------------------------

(Esta história foi-me contada muitos anos atrás por uma pessoa que não teria, por motivo algum, razão para inventá-la. Além do que, convenhamos: ainda que haja uma certa "liberdade poética" nela, não conheço nenhuma outra mais perfeita para sintetizar o que o deve ser o pensamento de um verdadeiro artista marcial.)


OSS!

quinta-feira, 26 de março de 2015

MULHER NOTA 1000 #10: YELENA ISINBAYEVA


Ahh... Isinbayeva!

OSS!

O CARTEIRO E O POETA #17: MUSASHI EM "A PEÔNIA".



Musashi-Sama era excelente espadachim. Mais do que isso, notara, ainda jovem, que, no caminho das Artes Marciais, era necessário ter muito mais do que simples habilidade física e técnica para se destacar.

Num belo dia, decidiu que gostaria de se encontrar pessoalmente com aquele que era considerado um gênio da espada japonesa: o velho Yagyu Sekishusai, senhor do Castelo de Yagyu, um dos mais respeitados de todo o Japão.

Percorrendo o Japão no encalço do ancião, hospedou-se em muitas casas e estaleiros pelo caminho, e, em um deles, por uma incrível coincidência da vida, encontrava-se no banheiro no exato instante em que dois homens adentraram. Um deles, alto, robusto e de aspecto familiar: tratava-se de Yoshioka Denshichiro, o segundo espadachim mais importante na linhagem dos Yoshioka - outro clã de enorme respeito no Japão feudal.

Denshichiro, que acabara de tentar se encontrar com o velho Sekishusai, ainda ostentava em suas mãos uma peônia, enquanto dizia ao outro:

- Velho tolo! Atravesso o país para conhecê-lo e o sujeito sequer me atende pessoalmente.

Faz um pequena pausa e prossegue:

- Em vez disso manda que um jardineiro qualquer me entregue esta flor idiota. Eu devia saber que ele seria uma fraude. - esbraveja e, ato contínuo, arremessa a flor ao chão.

Musashi-Sama, que noutro canto escutara tudo silenciosamente, aguardou a retirada dos dois homens e foi de encontro à flor. Resgatou-a e percorreu seu olhar, maravilhado, por toda a dimensão daquela inacreditável obra da criação divina. 

Entretanto, o choque maior ocorreu quando se deparou com o corte feito meticulosamente no caule do vegetal: um corte seco, transversal, preciso e, ao mesmo tempo, delicado. Musashi-Sama sabia que aquele corte só poderia ter saído das mãos de um espadachim extremamente habilidoso, visto que ele próprio sentia-se incapaz de fazer algo sequer próximo àquilo, e, maravilhado, não pode evitar o inocente pensamento que se seguiu:

"Se um simples jardineiro do Castelo Yagyu é capaz de fazer algo assim, o que dirá, então, o Mestre Sekishusai! Eu realmente preciso conhecer esse grande homem."

Musashi-Sama jamais cogitou que o corte pudesse ter sido feito pelo próprio patriarca do castelo.

Musashi-Sama ainda tinha em seu coração a pureza dos grandes artistas marciais.

------------------------------

Observação: este trecho não foi retirado da obra original "Musashi", de Eiji Yoshikawa. Tratam-se apenas das memórias que foram em mim criadas sobre o referido capítulo.

OSS!

sábado, 21 de março de 2015

O SOM DO CORAÇÃO #29: CAT STEVENS - ♪FATHER AND SON♪

Da série "se for para cantar, que seja com a alma".



OSS!

MULHER NOTA 1000: #9: JULIANNE MOORE

Ah... Julianne!


*-*

OSS!

O CARTEIRO E O POETA #16: SONETO DO AMOR ESCONDIDO

SONETO DO AMOR ESCONDIDO

O nosso amor se esconde nas pequenas coisas,
Nos pequenos gestos.
Esconde-se a ponto de parecer invisível, por contraditório que seja,
Aos olhos dos que o desconhecem: o amor!

O nosso amor, por também contraditório que seja,
Se encontra nas pequenas coisas, nos pequenos gestos.
Encontra-se a ponto de, aos olhos que o conhecem, parecer infinito,
imperturbável, inquebrável: o nosso amor!

E, por ainda mais contraditório que seja,
Escondido, desencontrado e invisível,
Até mesmo os desacostumados olhos que não o sabem ver,

Sentem que ali ele está: o amor.
Pois não há, desconheço, me cego, diante de olhos que não reconheçam
Os pequenos gestos do amar.


Danilo Peres


OSS!